NOVO HAMBURGO

Vice-prefeito Márcio Lüders deixa o MDB

Nesta quarta-feira (20/06), o vice-prefeito de Novo Hamburgo, Márcio Lüders, anunciou a sua desfiliação do MDB. Ele também divulgou uma carta aberta ao MDB hamburguense, listando a sua trajetória no partido, em que estava há 28 anos, e os motivos para sua saída da sigla.

Confira a carta na íntegra:

 

Ao MDB de Novo Hamburgo

Comecei a fazer política há 30 anos, foi o início de um projeto de política estudantil, quando participei pela primeira vez do grêmio da Escola Estadual Osvaldo Aranha. Fui eleito presidente da agremiação no ano seguinte. Era 1992, e eu, assim como tantos outros jovens, estava fortemente influenciado pelo “Fora Collor” e a redemocratização do País. Foi um período de retomada da importância e valorização do movimento estudantil.

Em 1994, entrei para o movimento estudantil do PMDB, fui candidato a presidente da UENH pela chapa emedebista, e, no ano seguinte, fui eleito Vice-Presidente da UGES, comandada pelo MR8, posto que ocupei por dois mandatos.Com o destaque na militância do movimento estudantil, em 1997, fui convidado por Jair Foscarini a fazer parte do projeto político que o mesmo capitaneava em Novo Hamburgo e no Vale do Sinos. Segui com ele no projeto até 2003, tendo dado minha contribuição nas campanhas eleitorais, na direção do partido, onde fui Presidente da Juventude por dois mandatos, e, também, desenvolvendo atividades na Assembleia Legislativa e na Secretaria de Transportes do Estado.

Em 2003, veio o desafio de trabalhar com o Ibsen Pinheiro na Secretaria de Comunicação do Estado, grande oportunidade de aprendizado e também de dar minha contribuição no governo de Germano Rigotto.

Em 2007, retornei para Novo Hamburgo, onde até 2008 trabalhei no Hospital Municipal, no governo de Jair Foscarini e Raul Cassel, outra importante oportunidade de aprendizado e de contribuição.

Em 2008, iniciei outro projeto, que foi o de buscar minha graduação em Direito, cumprido com êxito em 2012. Um período de crescimento profissional importante, tendo em vista que busquei não só a formação, mas obter experiência na advocacia, trabalhando em escritório, pois acredito que política não é profissão.

Em 2013 retornei ao cenário político, Raul Cassel me convidou para ser seu Chefe de Gabinete na Câmara de Vereadores e me apresentou um projeto político, juntamente com o Serjão, de reavivamento e crescimento do MDB de forma planejada e contínua. Nele, tive a oportunidade de, durante os últimos nove anos, participar da executiva do partido como Secretário Geral, Vice-Presidente e Presidente por dois mandatos. Esse projeto continuou até abril deste ano, apesar da saída precoce da vida pública pelo Raul e do falecimento, também precoce, do Serjão, dois grandes amigos.

Reconheço que o MDB me deu duas das maiores missões da minha carreira política até aqui. O primeiro, gerir a autarquia de saneamento da cidade, a COMUSA, equacionando uma dívida herdada de outros governos de mais de R$ 200 milhões e buscar investimentos para saneamento de mais de R$ 100 milhões que estavam praticamente perdidos. Missões cumpridas com êxito, um grande desafio onde nossa capacidade de gestão foi colocada à prova todos os dias por 3 anos, período em que foram economizados mais de R$ 45 milhões de reais do contribuinte.

Sempre fui um militante de bastidor, mas nem por isso deixei de me preparar e qualificar. Na hora que o MDB precisou eu estava pronto para concorrer. Minha candidatura não foi imposta, tivemos candidato preterido, tivemos candidato que não aceitou o encargo. Eu topei o desafio. Sempre acreditei que a candidatura tem que surgir da base e não do indivíduo e foi assim que a minha surgiu.
E este foi o segundo maior desafio: ser candidato a Vice-Prefeito, de Novo Hamburgo, em 2020, onde não medi esforços para atingirmos o objetivo. Eleição que tivemos êxito graças ao empenho de todos os companheiros do MDB e ao planejamento iniciado em 2013, de retornar ao Paço Municipal, muito embora, até hoje o fato de não termos tido candidato a Prefeito gere muita incompreensão e até um forte sentimento oposicionista.

Enfim, foram 28 anos de convergências e divergências, de alegrias e dissabores, como em qualquer relação das nossas vidas.

Acredito que política se constrói com projeto e, o que iniciamos em 2013, encerrou por escolha da maioria. Respeito isso, é republicano e democrático, assim como minha escolha de não permanecer no partido sem um projeto em que acredite também o é.

Não sou homem de olhar para trás. O faço somente para aprender com meus erros e com a experiência de tantos companheiros que nos ajudaram nesta caminhada, aos quais, desde já, deixo meu abraço fraterno e o pedido de desculpas por alguma falha. Mas, hoje tenho que ir em busca do futuro e fazer aquilo que entendo ser o melhor.

Agora os rumos do ser político Márcio Lüders e do MDB se separam, ficando, desta forma a Direção Partidária livre para seguir o caminho que melhor entender, sem qualquer constrangimento ou mágoa. Me desfilio do MDB mas não da minha trajetória ou da minha história. Afinal a vida é feita de ciclos e agora se inicia um novo.

O meu destino político-partidário ainda é incerto, somente posso dizer que seguirei firme nos meus propósitos, trabalhando sempre pelo ideal democrático e buscando o melhor para minha Novo Hamburgo, para o Rio Grande do Sul e para o Brasil. Prosseguirei firme no projeto para o qual fui eleito dando o meu melhor junto à administração da nossa cidade.
Novo Hamburgo, 20 de junho de 2022.

Atenciosamente,

Márcio Lüders dos Santos

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sair da versão mobile